as vezes as flores caem. caem e levam com elas o seu perfume, os sorrisos e as palavras. e nós nem passamos tanto tempo assim as cheirando e as tocando. mas não são quaiquer flores. são flô que se cheire, que se quer bem. as vezes uma flor cai e a gente fica em dúvida se devia pedir desculpas ou agradecer pelo perfume. será que ele passou desapercebido? será que a gente podia ter lhe rendido mais olhares? será? as vezes uma flor cai e espalha o seu pólem, como um músico que espalha a sua poesia. (fica aqui a lembrança de uma flor. De seus sorrisos. e de suas palavras: e não é qualquer flô, não...)
Escrito por nasha às 00h36
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Descobri a minha diferença entre o teatro e a dança. A dança, pra mim é mais egoísta. Ou melhor, o meu prazer de dançar é mais egoísta.
Escrito por nasha às 21h10
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Pelo lado piegas que há em mim...
O relógio da estação denunciava: 18h15. Era cedo. O tal relógio denunciava que era cedo. No trem, o seu silêncio lhe dizia: aula, dança... falta de ânimo. E, talvez até por ironia, ela ia de costas no trem. De costas e sempre prestando atenção nas estações que se seguiam (para frente). Um menino coçava o nariz, ali do lado uma moça lia o jornal, do outro uma senhora tricotava. Alguém falava feliz com o filho pelo celular. E ela? Ela ia de costas no trem. E escrevia. Escrevia e pensava. Quase torturava-se. Desanimava-se. Como faria para seguir aquilo que era (para ela) o ideal de uma professora? Pensava na dificuldade. Ou melhor, nas dificuldades. A instituição escolar, a instituição educação. E a sua dificuldade, ela. Estação São Caetano. "Faltam poucas estações". E muitas as palavras ainda a serem escritas. Desânimo novamente. Mas... Riu-se. E aqui, pediu desculpas e permissão para ser piegas. Mesmo com a vontade de desistir, algo dentro dela pulsava. Não sabia ao certo se potência ou crença. Talvez uma mistura destas. A idéia da troca de experiências em uma sala de aula ainda pulsava dentro dela. E pediu novamente licença, dessa vez para escrever em primeira pessoa. Porque eu não sei ao certo o que eu quero dizer ao mundo, mas sei que o encontro, a experiência e a troca ainda me seduzem e instigam. Ou melhor, pulsam. Tanto na educação quanto no teatro. "E riu-se novamente por achar que tinha sido piegas"
Escrito por nasha às 21h00
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para o meu cariño
Dele tinha umas saudades que tomavam todo o seu corpo. Umas saudades que chegavam assim, de repente, e dava uma vontade incontrolável de dizer: cariño. Dele tinha umas saudades, que eram assim, gosto de morango. E mesmo sendo saudades, dela tinha uma sensação de não estar mais sozinha. E nele tinha um sorriso bonito. E nela, uma risada que era só dele. Ou só pra ele. Ou só daquele sorriso dele. E eles tinham carinho. Para o meu cariño.
Escrito por nasha às 23h51
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Para Ana
Chorou baixinho até adormecer. E de adormecer, amanhecer. E de amanhecer, sorrir.
Escrito por nasha às 23h41
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E continuou a chuva. Mas agora as gotas mudaram o seu gosto. Eram gotas de gostos novos. E de olhos novos. Abriu os olhos e estranhou. Não sabia se era a chuva, as gotas, o gosto ou os tais olhos. Mas estranhou. Mesmo assim, levantou. O caminho era o mesmo de sempre, a avenida tão movimentada quanto ontem. E as lágrimas da chuva continuavam a animá-la. Procurou encontrar o que de diferente se escondia naquele cenário tão próprio de seus textos e histórias. Era como se acordasse de um sonho. E, ao abrir os olhos, encontrava menos. Menos motivos, menos motivações. Menos por-vir. Sentia-se flutuando, de nuvem em nuvem - ou gota em gota - no futuro. Acordara de um sonho, no futuro. E, apesar da chuva, as suas gotas tinham um gosto novo. E gotas-gosto-olhos-nuvens a faziam estranhar. Como é que era agora, no futuro? Entusiasmo e desilusões a arrebatavam. E o tédio gotejava, junto com a chuva-a-gosto. Tira gosto. Fotografias e negativos passavam pela sua cabeça: "Eu não quero ser uma formiga", "Eu amo isso, sei que é o que eu quero fazer da minha vida". Pronto, fizera a faculdade. Seguira o teatro. Mas... e agora? Qual a sua garantia de não ser uma formiga? Qual o sabor do gosto das gotas para as formigas? Qual o sabor da vontade para as formigas? E o sabor do tédio? Sentia um formigamento nos membros. Uma voz lhe insistia: e agora? E agora? As gotas não tinham mais o gosto de promessa. De espectativa, de antes. Elas tinham o gosto do depois. E em meio as gotas-gosto de chuva, decidiu que tinha que inventar um novo futuro.
Escrito por nasha às 22h03
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subitamente quis se declarar feliz. e mais do que isso. feliz ao lado de alguém.
mas, como sempre, calou-se na hora de falar de amor.
sem perceber, acabou falando.
Escrito por nasha às 17h34
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cenas urbanas
No ônibus ninguém sabia da dor. E era uma dor humilhada, de um homem negado como homem. Alguns poucos ressentiam-se e guardavam um grito dentro da garganta. Duas mulheres tiveram a coragem de dar-lhe a mão. E eu fiquei pensando em como nós temos medo dos homens, dos seres humanos.
Escrito por nasha às 08h54
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2005. Estrada. Começo. Medo. Insegurança. Um encontro:
- Ana, é tão difícil mostrar-se para as pessoas!
2008. Estrada. Fim de um ciclo. Medo ainda. Insegurança ainda.
Porém permeada de pessoas.
Escrito por nasha às 11h36
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...
falaram de suas poesias curtas. enfrentou a sua falta de palavras e a dificuldade em desenvolver longos textos. cada vez mais prendia-se a frases curtas, que saiam-lhe quase como um grito. quase como um grito silenciado. ou silencioso.
...
e quis falar de amor. e silenciou.
...
não por acaso o seu blog chamava-se silencios.
PULSO
Escrito por nasha às 15h27
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Ela quis escrever em terceira pessoa sobre felicidade.
Ela quis escrever em terceira pessoa.
Ela quis escrever.
Ela quis.
Ela.
Calou-se.
Escrito por nasha às 17h25
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quis escrever um texto sem pontos sem virgulas e sem paradas outalvezjuntarasletrasassim
Escrito por nasha às 11h58
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tic tac tic tac tic tac
(e aí, como se representa a passagem de tempo)
Escrito por nasha às 11h50
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É. há poesia no elevador.
Cotidianos.
Quem diria?
Escrito por nasha às 11h43
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Momento que não tem tempo. Se chama instante.
Escrito por nasha às 13h30
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